Prefeitura registra 95% de desocupação da Vila Canário e mais de 250 famílias já vivem em moradia definitiva
03/12/2025 | atualizado às 19h34m
Após o grande volume de chuvas de abril e maio de 2024, quase a totalidade das famílias da Canário hoje vivem em um lar seguro alugado ou aguardam a compra de novas residências (Foto: Levantamento aerofotogramétrico do Morro do Cechella, 30.out.2025)
Em amparo às famílias atingidas pelas chuvas de abril e maio de 2024, a Prefeitura de Santa Maria, por meio da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária, atualiza e monitora as áreas de risco e viabiliza moradias provisórias e definitivas para os núcleos familiares que residiam em locais mapeados com propensão a deslizamentos de terra.
O avanço das políticas habitacionais, junto do intenso trabalho técnico-social realizado na região da Vila Canário (extremo norte do Morro do Cechella, Bairro Itararé), resultou em um marco importante para a segurança do Município: a localidade atingiu 95% de desocupação. Das 150 famílias que residiam na localidade, apenas 8 não aderiram à proposta até a presente data. Os retardatários podem ser conferidos no documento em anexo ou aqui. No local, um deslizamento de terra vitimou duas pessoas, destruiu três casas e atingiu inúmeras outras residências em 1º de maio de 2024.
Ao todo, são 259 famílias que já residem em casas definitivas ou estão em vias de se mudar; residentes da Vila Canário, da Vila Nossa Senhora Aparecida (sudeste do Morro do Cechella, Bairro Itararé); Vila Bürguer (sul do Morro do Cechella, Bairro Itararé); e Vila Bela Vista (oeste do Morro do Cechella, Bairro Itararé).
“Desde o momento mais crítico das chuvas, nossa prioridade absoluta foi salvar vidas e tirar as pessoas do caminho do perigo. Ver a Vila Canário praticamente desocupada hoje é um sinal de vitória da vida sobre o risco. Não se trata apenas de remover uma casa, mas de garantir que essas cerca de 150 famílias tenham dignidade, um teto seguro para dormir e a oportunidade de recomeçar suas histórias longe do medo dos deslizamentos”, reforça o prefeito Rodrigo Decimo.
NOVOS LARES
Atualmente, a maioria das famílias já reside em seus novos lares, seja por meio do Aluguel Social ou já em imóveis definitivos adquiridos pelo Município. Uma parcela menor dos moradores aguarda apenas os trâmites finais para a conclusão do processo de Compra Assistida, em que um imóvel escolhido pela família, de até R$ 200 mil, é adquirido pelo Município (recursos próprios, Lei da Permuta, alocação em loteamentos do Município); pela União (Minha Casa Minha Vida Reconstrução) ou por ações solidárias (doações da campanha Fé no Rio Grande, da Construtora Jobim; e Construtora BK).
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) é o órgão da União que avalia e autoriza os planos de trabalhos encaminhados pelos Municípios no contexto da calamidade de 2024. O titular da Sedec, secretário Wolnei Wolff Barreiros, avalia que as políticas habitacionais de Santa Maria, decorrentes da calamidade de 2024, estão em estágio avançado.
"O papel da Sedec é assessorar as cidades e monitorar a execução dos planos de trabalho. Desde 2024, nos empenhamos diariamente no amparo ao Rio Grande do Sul. Dentre os municípios gaúchos, vemos que Santa Maria avançou e as famílias que viviam em áreas de risco agora estão morando em regiões seguras. A soma de esforços do Governo Federal com Santa Maria tem dado bons resultados", destaca Wolff.
No final de novembro, Santa Maria foi contemplada com R$ 31 milhões de recursos federais para outras obras de recuperação, como a Estrada do Perau e pontes do Município que foram afetadas pelas chuvas de 2024.
DEMOLIÇÕES
Para assegurar que a área de risco no Morro Cechella não volte a ser habitada, a Prefeitura mantém um cronograma contínuo de demolição das estruturas desocupadas, etapa prevista nas normativas do Governo Federal. À medida que as famílias se mudam, as antigas residências são desmanchadas e o entulho é removido, permitindo a regeneração natural da encosta e evitando novas ocupações irregulares.
“Chegar a 95% de adesão em uma remoção deste porte é um resultado expressivo que demonstra a confiança da comunidade no nosso trabalho. Estamos dialogando ativamente com as 8 famílias restantes para oferecer a melhor solução possível. Enquanto isso, seguimos com as demolições imediatas das casas vazias. É um ciclo que se fecha: a família sai para a segurança, e a estrutura de risco deixa de existir, protegendo a encosta e toda a comunidade do entorno”, destaca o secretário de Habitação e Regularização Fundiária, Wagner Bitencourt.
A força-tarefa envolveu, além da Habitação, equipes da Defesa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Social e outras pastas, que seguem monitorando as áreas afetadas pelos eventos climáticos extremos de maio de 2024.
CHUVAS DE 2024
Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a precipitação acumulada em Santa Maria de 25 de abril até 31 de maio de 2024 foi de 835,8 mm, o equivalente a quase 50% da média de chuva anual do Município (dados da estação pluviométrica localizada no Bairro Lorenzi). Somente em 1º de maio de 2024, houve o maior acumulado de chuva em 24 horas da história de Santa Maria. Foram 213,6 mm, superando os 183,9 mm registrados em 16 de abril de 1984 (Instituto Nacional de Meteorologia).
Em Santa Maria, a enxurrada atingiu diretamente cerca de 12 mil pessoas, deixando 1,3 mil pessoas desalojadas (em casas de familiares) e quase 300 desabrigadas (acolhidas nos abrigos do Município). Foram 5 óbitos, todos em decorrência de deslizamentos de terra, sendo três no distrito de Arroio Grande e dois na Vila Canário, Bairro Itararé. (Dados de 30 de abril a 17 de maio. Fonte: Defesa Civil Municipal).
COMPRA ASSISTIDA E DOAÇÕES | CALAMIDADE 2024
Dados de junho de 2024 até 03/12/2025. Fonte: SEHAB/PMSM
• 259 famílias em habitação definitiva
• Mais de 1 mil pessoas beneficiadas
• 151 imóveis via Minha Casa Minha Vida Reconstrução
• 90 imóveis adquiridos pelo Município com investimento de mais de R$ 17,2 milhões de recursos próprios
• 10 imóveis via Lei da Permuta
• 5 imóveis via campanha Fé no Rio Grande
• 2 imóveis em loteamentos do Município
• 1 imóvel via Construtora BK
Texto: Lenon de Paula (MTb: 18.763)
Fotos: Prefeitura de Santa Maria
Secretaria de Comunicação
Prefeitura Municipal de Santa Maria