Estudo releva que turistas gastam R$ 80,1 milhões por ano, em Santa Maria. Pesquisa foi apresentada nesta sexta

07/12/2013 | atualizado às 15h19m


Economista Lemos apresentou o estudo, nesta sexta / Foto: Luiz Otávio Prates

“Sim, Santa Maria é uma cidade turística”. As palavras proferidas pelo doutor em Comunicação e Turismo, economista Leandro Antônio de Lemos, reforçam as expectativas do prefeito Cezar Schirmer em transformar a Cidade Coração do Rio Grande no quarto destino turístico do Estado. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (6), à noite, durante a apresentação do estudo “Estimativa dos Impactos Econômicos do Setor do Turismo em Santa Maria”, no auditório do Centro Administrativo.

O detalhado estudo, desenvolvido pelo economista Lemos, a pedido do chefe do Executivo, foi elaborado em cima de dados oficiais, fornecidos pela prefeitura e órgãos do governo, e considerou a atividade formal legalizada – a pesquisa não contempla os números da atividade informal. “O turismo é um setor altamente competitivo, que requer a convergência do setor público e privado”, salientou Lemos. O relatório visa, também, orientar as políticas públicas e sensibilizar o setor privado para tornar o turismo da região ainda mais competitivo.

O prefeito lembrou a situação econômica do município frente a outras regiões. “Temos que agir efetivamente, no sentido de reverter este quadro. E, um dos instrumentos de reversão é o turismo. O professor Lemos fez um estudo, alentado com informações bem expressivas e obviamente desconhecidas por nós. Tenho certeza que a exposição que ele fará aqui vai nos fazer refletir, pensar e, mais do que isso, agir”, disse Schirmer, ao introduzir a apresentação do estudo.

Para a secretária de Turismo, Norma Moesch, o estudo dará melhores condições ao município de competitividade frente às outras regiões do Rio Grande do Sul. “Se entendermos que o turismo é essa atividade humana de tão importante espectro econômico, social e cultural, pergunto: como se pode falar em turismo com otimismo, com entusiasmo, sem que se tenha um mínimo de embasamento científico e técnico?”, questionou.

Os números

O relatório estima que Santa Maria venha recebendo, anualmente, 283,5 mil turistas por ano. Destes, 136 mil utilizam a rede hoteleira do município e 147,4 não pernoitam na cidade – chamados turistas visitantes. Portanto, 52% utilizam os hotéis e 48% passam pelo município. A permanência média dos hóspedes é de 2,7 dias e a permanência média total, chamada permanência ajustada, é de 1,26 dias – ambos os índices são superiores a cidades como Porto Alegre.

O gasto per capto dos turistas na cidade é de R$ 185,79. O total de gastos gerados é de R$ 80,1 milhões por ano e a arrecadação no município, no computo geral dos impostos, é estimada em R$ 11,08 milhões. “Marca bastante significativa”, resumiu Lemos. Estes custos e a atração de visitantes para o município gerou 8,9 mil postos de trabalho com carteira assinada, que atuam no setor do turismo. Isso tudo cria uma grande cadeia e envolve 104 atividades econômicas impactadas pelo setor – a média mundial é de 70 atividades.

A rede hoteleira do município conta com 1,8 mil unidades habitacionais e 3,2 mil leitos – números equivalentes a um dos principais destinos turísticos do Estado, a cidade de Bento Gonçalves. Os hotéis empregam 1,4 mil pessoas com carteira assinada, o que representa 0,43 colaboradores por unidade habitacional. Outro número relevante diz respeito ao valor médio das diárias: R$ 118,52. O estudo atesta, ainda, que os turistas que se hospedam na cidade gastam quase três vezes mais dos que não pernoitam.

A pesquisa mostra que o setor de turismo gera 15,38% na ocupação pessoal, conforme o multiplicador de empregos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de 2009, com índice de 1,28. Já o efeito dos impostos origina mais de R$ 15 milhões para Santa Maria. Os números remetem a um impacto, em termos de produção, um impacto de R$ 176,2 milhões ou 4,29% do PIB municipal, de acordo com o multiplicador de rendas do turismo, da Fipe, com índice de 2,03.

Confira a íntegra do estudo abaixo.

O pesquisador

Leandro Antônio de Lemos é economista e mestre em Economia Industrial, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e doutor em Comunicação e Turismo, pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, Lemos é diretor da Agência de Gestão de Empreendimentos (AGE), da Pontífica Universidade Católica (PUC), e professor de Economia na mesma instituição.

Jornalista Luiz Otávio Prates
Fotos: Felipe Pires, Vitor Mirailh e Luiz Otávio Prates

Documentos

Imagens