Prestes a completar 100 anos, prédio da SUCV tem projeto de restauro interno apresentado à Prefeitura
21/08/2026 | atualizado às 17h00m
Inaugurado em 20 de setembro de 1926, imponente edifício do Centro de Santa Maria teve patologias, cores originais e estruturas mapeadas por empresa especializada; estudo embasará futura licitação da obra
Um dos cartões-postais mais icônicos de Santa Maria, que testemunhou um século de história na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Venâncio Aires, está um passo mais perto de reabrir suas portas à comunidade. O Edifício João Fontoura Borges — amplamente conhecido como prédio da antiga Sociedade União dos Caixeiros Viajantes (SUCV), que completa 100 anos de inauguração no próximo mês de setembro —, teve seu projeto executivo de restauro interno apresentado à Prefeitura.
O estudo, em fase final de conclusão, foi exposto ao prefeito Rodrigo Decimo na tarde desta sexta-feira (21), durante reunião no Centro Administrativo Municipal. Elaborado pela empresa Edegar B. Luz – Consultoria e Projetos de Restauro LTDA, de Porto Alegre, o documento guiará a futura licitação da revitalização dos 1.719 metros quadrados que pertencem ao Município. Os estudos começaram em fevereiro de 2024, tendo investimento de R$ 320 mil, oriundo de recursos próprios do Executivo.
"Queremos que o edifício, integrado à nossa praça principal, seja amplamente ocupado com um novo museu, salas multiuso e eventos culturais. Manter as portas abertas e o local ativo trará luz, movimento e segurança para o nosso Distrito Criativo Centro-Gare, garantindo que esse valioso equipamento público esteja, finalmente, à disposição de toda a população e sirva como um rico espaço cultural", destacou o prefeito Rodrigo Decimo.
UM "RAIO-X" HISTÓRICO
Mais do que plantas arquitetônicas, o trabalho funciona como um verdadeiro resgate arqueológico. Para elaborar os projetos estruturais e de engenharia, a equipe de arquitetos restauradores realizou prospecções minuciosas dentro do edifício de cinco pavimentos, que hoje se encontra interditado por problemas físicos e elétricos.
O diagnóstico envolveu a análise química das argamassas originais, testes de umidade nas estruturas e mapeamento das cores primárias das paredes e esquadrias de portas e janelas. Entre as diretrizes técnicas estabelecidas pelo estudo, está a preservação e a manutenção das características originais do elevador do prédio, considerado o mais antigo de Santa Maria. Além disso, o projeto foi elaborado sob a premissa de "mínima interferência", exigindo que materiais substituídos sejam compatíveis e que equipamentos de ar-condicionado ou energia solar não comprometam as fachadas sul e oeste.
"Este edifício tem uma riqueza espacial extraordinária. Nosso propósito não é restaurar apenas a matéria, mas resgatar o espírito do local. Para viabilizar esse uso, superamos desafios técnicos: adaptamos a acessibilidade criando uma rampa frontal e atendemos às normas de incêndio desenhando uma nova escada de forma sutil, usando soluções que respeitam a estrutura original", explicou o arquiteto e representante da empresa contratada, Bruno Walter de Luz, acompanhado da arquiteta Luísa Stein.
As prospecções seguem em análise pelas equipes técnicas da Prefeitura. O projeto definitivo deverá ser remetido ao Município nas próximas semanas, englobando projetos complementares (elétricos e hidráulicos), memorial descritivo, orçamento e detalhamentos de acessibilidade (como a instalação de uma plataforma elevatória no acesso principal e a modernização do elevador). Somente após essa aprovação interna, o documento servirá como termo de referência base para o edital de licitação da obra.
O PRÉDIO DA SUCV
Tombada como Patrimônio Histórico de Santa Maria (fachadas externas) desde 1993, a edificação com fortes influências das correntes Art Nouveau (especialmente no ferro forjado e em detalhes ornamentais internos) e do Neoclassicismo é um marco da identidade cultural da cidade. Foi construída entre 1923 e 1926 — com a pedra fundamental assentada em 20 de dezembro de 1922 — e inaugurada oficialmente em 20 de setembro de 1926. O nome dado ao edifício, João Fontoura Borges, é uma homenagem ao presidente da entidade na época.
"É uma enorme satisfação ver esse projeto de porte monumental avançar para esta etapa. Conhecer este projeto em detalhes é fundamental para compreendermos o resgate de um patrimônio histórico e sentimental que representa a trajetória dos caixeiros viajantes e a força do nosso comércio local. Nossa firme intenção é devolver este espaço totalmente restaurado à comunidade", destacou a secretária de Município de Cultura, Rose Carneiro.
Desapropriado pelo Município em 2011, o prédio abrigou o Gabinete do Prefeito a partir de 2012, centralizando o Poder Executivo. Posteriormente, sediou a Secretaria de Educação e, mais recentemente (entre 2017 e 2020), o andar térreo superior e as salas receberam a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, até o imóvel ser interditado devido aos riscos nas instalações elétricas e problemas na cobertura.
Conforme o termo de referência, a Prefeitura pretende incrementar a função que o edifício desempenhava até a interdição, utilizando-o para atividades culturais como exposições, mostras e oficinas de arte, além de sediar órgãos culturais. A estrutura icônica faz parte do Distrito Criativo Centro-Gare.
O restauro interno é o segundo e decisivo passo para a retomada do edifício. Em agosto de 2022, a Prefeitura já havia concluído a primeira etapa de intervenções: a revitalização completa de toda a fachada externa, devolvendo a beleza arquitetônica à Praça Saldanha Marinho.
A reunião de apresentação também foi acompanhada pela secretária de Governança, Caroline Lisowski; secretária de Planejamento e Administração, Liana Ebling; secretária de Cultura, Rose Carneiro; secretária adjunta de Cultura, Marília Chartune; secretário de Urbanismo e Projetos, Guilherme Schneider; secretário de Comunicação, Ramiro Guimarães; a superintendente Administração, Jose Aline Munhoz Walter; e pela fiscal do contrato, Lidia Rodrigues.
Texto: Lenon de Paula (MTb: 18.763)
Foto: Samuel Marques, João Alves e Marcelo Oliveira (Prefeitura)
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