Prefeitura de Santa Maria promove a 4ª edição do Encontro Saúde que Acolhe
29/07/2026 | atualizado às 16h51m
O evento reuniu profissionais que atuam na recepção das unidades de saúde do município com o objetivo de fortalecer o enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia
A Secretaria de Saúde promoveu, nesta quarta-feira (29), a 4ª edição do Encontro Saúde que Acolhe, que neste ano teve como tema "Combatendo a LGBTfobia e o Racismo". O evento, realizado no Auditório da Antiga Reitoria de Santa Maria, reuniu profissionais que atuam na recepção das unidades de saúde do município, fortalecendo a educação permanente e a qualificação do atendimento prestado à população.
Voltado aos trabalhadores que representam a porta de entrada dos serviços de saúde, o encontro promoveu reflexões sobre o papel do acolhimento na garantia do acesso, do respeito à diversidade e da efetivação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal com a construção de uma rede de atenção mais humanizada, inclusiva e comprometida com a equidade.
Ao longo de quatro edições, o Saúde que Acolhe tem abordado temas fundamentais para o enfrentamento das desigualdades em saúde, como racismo, LGBTfobia, violência contra a mulher, aporofobia e etarismo. Essas formas de discriminação são reconhecidas como determinantes sociais da saúde, impactando diretamente o acesso aos serviços, a qualidade do cuidado e os desfechos em saúde.
Na abertura, a responsável pela Política Municipal de HIV, IST e Hepatites Virais de Santa Maria, enfermeira Márcia Gabriela Rodrigues de Lima, destacou que o acolhimento começa no primeiro contato entre o usuário e o serviço.
"Quem chega a uma unidade de saúde precisa ser recebido com respeito, escuta e dignidade. Capacitar nossas equipes é fortalecer o SUS e garantir que o cuidado seja realmente humanizado e acessível para todos".
A programação contou com uma mesa de abertura formada por representantes de instituições e movimentos que atuam na promoção dos direitos humanos e da equidade. Participaram Claudia Bassoaldo, responsável pela Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial de Santa Maria; Hellen Byanchini, integrante do Coletivo ONG Igualdade; e Débora Dias, delegada titular da Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (DPICOI).
Durante sua participação, Claudia Bassoaldo ressaltou a importância da articulação entre diferentes setores para a promoção da igualdade racial:
"Construir uma sociedade mais justa passa por reconhecer as desigualdades e enfrentá-las diariamente. A saúde tem um papel fundamental nesse processo, porque acolher com respeito também é promover cidadania".
A delegada Débora Dias enfatizou que combater a discriminação também é uma forma de prevenção:
"As denúncias dos crimes chegam primeiro nas unidades de saúde. Por isso, essas pessoas precisam ser atendidas da melhor maneira possível. O respeito às diferenças precisa estar presente em todos os espaços públicos. Quando o atendimento é livre de preconceitos, fortalecemos a confiança da população nos serviços e contribuímos para a garantia dos direitos de cada cidadão".
O primeiro painel, "Racismo Institucional e o Atendimento Humanizado nos Serviços de Saúde", foi ministrado pela enfermeira Leila Coutinho, presidenta do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), integrante da Articulação Nacional de Enfermagem Negra (ANEN), do Movimento Negro Unificado (MNU), da Cruz Vermelha Brasileira e da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen Mulher).
Durante a palestra, Leila destacou que o respeito e o cuidado começam no cadastro, nos primeiros minutos de acolhimento, na sensibilidade e no respeito:
"O racismo institucional produz impactos reais na vida das pessoas e também nos indicadores de saúde. Falar sobre esse tema é qualificar o atendimento para que ele seja mais justo, mais humano e verdadeiramente equitativo".
Na sequência, o segundo painel abordou o tema "LGBTfobia e o Atendimento Humanizado nos Serviços de Saúde", com a fisioterapeuta Ivana Camargo Braga, mestranda em Ensino na Saúde pela UFCSPA, integrante da equipe de Fisioterapia da Santa Casa de Porto Alegre, diretora executiva da Rede Inclusivah! e coordenadora acadêmica da Liga Acadêmica de Saúde da Mulher (LIASM-UFSM).
Durante a palestra, também foram apresentados dados e evidências sobre os impactos do racismo estrutural nos indicadores de saúde, demonstrando como as desigualdades sociais e a discriminação podem influenciar o acesso aos serviços, a qualidade do atendimento e os desfechos em saúde. A abordagem reforçou a importância da qualificação permanente dos profissionais e da implementação de práticas pautadas na equidade, no respeito às diferenças e na garantia de um cuidado humanizado para toda a população.
Mais do que um espaço de formação, o Encontro Saúde que Acolhe reafirmou a importância de um acolhimento livre de preconceitos, que reconheça as diferenças, respeite as singularidades e contribua para a redução das iniquidades no acesso à saúde. A expectativa é que os conhecimentos compartilhados durante a programação fortaleçam práticas cotidianas de cuidado pautadas na dignidade, nos direitos humanos e na equidade.
O encontro foi promovido pela Secretaria Municipal de Saúde como parte das ações de educação permanente desenvolvidas junto às equipes da rede municipal de saúde.
Texto: Luisa Neves (MTb:19.010)
Fotos: João Vilnei/PMSM
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