Prefeitura elabora diagnóstico dos serviços de alimentação para fortalecer atividades do Programa Xis
24/04/2026 | atualizado às 11h21m
Com mais de 2,5 mil empresas do setor, iniciativa busca consolidar o típico lanche como símbolo de identidade e cultura urbana santa-mariense
Santa Maria soma 2.591 empresas ativas ligadas ao universo de bares, restaurantes, lanchonetes, ambulantes, bufês e fornecimento de alimentos. O levantamento do Observatório Econômico, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação, traz um diagnóstico do setor do Município no contexto do Programa Xis.
A maior concentração dos estabelecimentos está no Centro, que lidera com 441 empresas, concentrando cerca de 17% de todo o cadastro. Em seguida aparece Camobi, com 265 empresas, ou 10,2% da base. Depois, Pinheiro Machado (119), Juscelino Kubitschek (108) e Nossa Senhora de Fátima (105). Também se destacam os bairros Nossa Senhora das Dores (91), Nossa Senhora Medianeira (91), Nossa Senhora do Rosário (90), Tancredo Neves (90) e Patronato (72).
No que se refere às atividades mais frequentes, as lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares lideram com 687 registros. Logo atrás aparecem o fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar, com 665, os restaurantes e similares, com 527, e os serviços ambulantes de alimentação, com 411. Os dados indicam que há uma cadeia diversa, conectada tanto ao consumo presencial quanto ao delivery, ao comércio de rua e à experiência urbana.
Conforme o secretário Ronie Gabbi, é neste contexto que o xis ganha protagonismo por não ser apenas um item de cardápio e, sim, um símbolo afetivo da cidade, presente em diferentes situações do cotidiano local:
“O próprio material do Programa Xis reconhece isso ao afirmar que o xis é mais do que um lanche, é identidade, memória afetiva e cultura urbana, além de gerar trabalho, renda e valorização dos empreendedores locais. Por isso, o Programa Xis é tão importante como política pública porque ele parte de uma leitura moderna de desenvolvimento que busca olhar para aquilo que já é forte na cidade e organizar esse ativo com visão de futuro”.
O chefe da pasta de Desenvolvimento Econômico e Inovação, vê o momento como o de virada de chave, de mudança de percepção sobre esta iguaria. O xis deixa de ser tratado apenas como curiosidade local e passa a ser tratado como vetor de atratividade.
“Essa abordagem combina com o tempo em que vivemos. Hoje, as cidades mais inteligentes não vendem apenas infraestrutura, elas vendem experiência, identidade e autenticidade. Elas entendem que cultura também é ativo econômico. Que gastronomia também é marca territorial. Que pertencimento também gera valor. E Santa Maria encontrou no xis um caminho original, divertido e altamente comunicável para fazer isso”, avalia Gabbi.
FESTIVAL DO XIS
O festival funciona como evento âncora do programa e como grande vitrine da cidade. Em 2025, a terceira edição registrou público estimado em 35 mil pessoas e 25 mil xis comercializados, além de uma programação que reuniu mercado criativo, shows, concursos, atrações temáticas e experiências que transformam o xis em espetáculo cultural urbano. A 4ª edição do festival ocorrerá de 13 a 15 de novembro de 2026.
PERFIL DOS NEGÓCIOS
O perfil empresarial também diz muito. 1.495 negócios da base são MEIs, o equivalente a 57,7% do total. Isso mostra um ecossistema fortemente formado por pequenos empreendedores, negócios familiares, operações enxutas e iniciativas que dependem diretamente do dinamismo da economia local. É uma cadeia com forte presença de micro e pequenos negócios, exatamente aquelas estruturas que mais sentem o pulso da cidade e, ao mesmo tempo, mais distribuem renda no território.
Outro dado relevante é de maturidade dessas empresas. A idade média do cadastro é de 5,26 anos, com mediana de 3 anos, o que mostra um setor que mistura tradição e renovação. Quase metade da base é formada por negócios recentes: 499 empresas têm até 1 ano de vida e 787 têm entre 1 e 3 anos. Somadas, são 1.286 empresas com até 3 anos, ou 49,6% do total. Ao mesmo tempo, há uma base mais consolidada que sustenta a memória econômica do setor: 306 empresas têm entre 10 e 20 anos e 137 já passaram dos 20 anos em atividade.
Texto: Gabriel Marques (MTb: 20.860)
Foto: Samuel Marques (Prefeitura/Arquivo)
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